27 de mar de 2008

Federação dos Estudantes de Agronomia rompe com a UNE

Sebastião Vilhena, do DCE da UFPA, e Gleison “Pessoa”, da Superintendência Regional 6 – Feab


Abaixo, divulgamos o relato dos estudantes de Agronomia Sebastião e Gleison que participaram da plenária na qual se resolveu desligar a Feab da UNE

Às 4h10 da manhã do dia 24 de março de 2008,em Belém (PA), na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) a Plenária Nacional de Entidades de Base de Agronomia 2008 (Pneb de Páscoa) organizada pela Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (Feab) votava a ruptura com a UNE por ampla maioria dos votos num dos espaços mais ricos de discussão dessa federação.

A Pneb tinha como uma de suas principais tarefas votar a ruptura da Feab com a União Nacional dos Estudantes, cumprindo a resolução do 50º Congresso Nacional dos Estudantes de Agronomia, que encaminhou essa discussão a sua base para que a deliberação pudesse ser fruto de um acúmulo da federação em todas as regionais do país.

Durante os cinco dias que a Pneb durou, a Feab respirou um dos principais debates em nosso país, a discussão sobre a reorganização sindical, camponesa e estudantil pela qual passa o Brasil e a América Latina. A necessidade de se entender qual a alternativa a se tomar ou construir ficaram vivas na expressão de cada participante ali presente, que se empenhava para contribuir com o debate da melhor forma, visando a construir a melhor resolução sobre o tema.

Passavam diariamente pela UFRA em torno de 50 ativistas do movimento estudantil, entre delegados vindos de todas as partes do país e de outros municípios paraenses, bem como vários ativistas que constroem a Frente de Luta Contra as Reformas, especialmente e em maior número os da Conlute que vem construindo a luta junto aos estudantes e ativistas da agronomia na UFRA.

Vários foram os temas debatidos: Conjuntura Nacional, agroecologia, a questão da opressão à mulher e ao homossexual entre outros temas. A discussão acerca da ruptura com a UNE se realizou na tarde do dia 21, sexta-feira santa no calendário cristão. A mesa foi facilitada por representações da FOE, Consulta Popular e Conlute.

Pela Cordenação Nacional dos Estudantes, esteve presente a estudante Camila Lisboa, que afirmou que “a decisão da Feab de romper com a UNE, para além de ser uma decisão histórica, coloca na ordem do dia para a federação e todo o movimento estudantil brasileiro, a necessidade de pensar novamente como o movimento estudantil brasileiro deve se reorganizar. Sendo agora livre das mãos governistas e burocráticas da União Nacional dos Estudantes, a esquerda e todos os estudantes que durante todo o ano passado fizeram lutas e ocuparam reitorias, deveriam se debruçar sobre qual alternativa será melhor para organizar as nossas lutas em mais um ano que o governo Lula despejará ataques à educação pública brasileira”.

Na plenária final, iniciada na noite do dia 23, surgiram três propostas sobre o tema, incluindo uma que recomendava à Feab não romper com UNE. Porém, ao final do debate, a tentativa do consenso resultou na seguinte resolução: “a esquerda brasileira passa por um período de reflexões e acúmulo de forças caracterizado pelo encerramento do ciclo com centralidade na disputa institucional. Diante dessa conjuntura, a Feab acredita que a UNE sofre uma crise de origem estrutural, consolidada pela burocratização e aparelhamento dessa entidade, que vai para além de uma crise de sua atual direção. Partimos do consenso da importância histórica que a UNE cumpriu para organização dos estudantes construindo e impulsionando lutas da classe trabalhadora. No entanto, a Feab consolida seu rompimento com a UNE e compreende que esta deixou de cumprir seu papel na organização do ME combativo. Esta posição não aponta neste período para a construção de uma nova entidade, pois as tarefas colocadas são o trabalho de base, formação política e lutas concretas. No entanto, compreendemos a importância do debate da reorganização para o ME brasileiro e do papel que a FEAB pode exercer neste debate”.

Apesar de a Regional 6 (contando com as escolas de Belém e Marabá) e a Escola de Fortaleza apresentarem, inicialmente, outra formulação para tal proposta, sendo estas umas das pioneiras na proposição de tal rompimento, essas escolas conseguiram articular juntamente a outras, as quais conformam a maioria de entidades e possuem ainda a Coordenção Nacional da Feab, tal proposta apresentada acima. Entretanto o sentimento das escolas de Belém, Fortaleza e outras que não estavam presentes na plenária segue sendo de que é necessário apontar no sentido da construção de uma Nova Entidade Estudantil, pois não se pode ficar vendo o bonde da história passar. É por esse motivo que, no mês passado, a Regional 6 assinou a convocatória da Executiva Nacional dos Estudantes de Letras e da Conlute e participou da primeira reunião convocada para discutir a construção de um Congresso Nacional de Estudantes e estará na base construindo todo o calendário de luta para este semestre.

26 de mar de 2008


Secretária Mariza Abreu abandona audiência pública na Assembléia Legislativa
25/03/2008 - 18:25


A secretária estadual da Educação, Mariza Abreu, abandonou a audiência pública da Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Assembléia Legislativa quando a reunião foi transferida pela presidenta do órgão técnico, deputada Marisa Formolo (PT), do Plenarinho para o auditório Dante Barone. A mudança de local aconteceu para garantir a segurança das pessoas que lotaram o Plenarinho, os corredores da Assembléia, a sala da Comissão de Educação e parte do auditório Dante Barone. O início da audiência, na manhã desta terça-feira 25, foi tumultuado. A deputada Marisa teve de suspender a reunião por alguns momentos a fim de negociar com a secretária.

Deputados, secretária, Conselho Estadual de Educação e Ministério Público reuniram-se, reservadamente, na sala contígua ao Plenarinho, mas não houve acordo, apesar dos argumentos da presidenta da Comissão. "Cada um assume a sua responsabilidade", disse a deputada Marisa. "Como presidenta, suspendi a audiência no Plenarinho e transferi para o Dante Barone para preservar a integridade física dos presentes", ponderou. "Gostaria que a secretária tivesse a mesma capacidade que esta Casa tem de dialogar. Uma audiência pública é para ouvir a população. A secretária se negou ao debate", lamentou Marisa.

Desmonte - Professores, pais e alunos criticam o desmonte das escolas públicas do Rio Grande do Sul e queriam discutir o problema com a secretária. No início deste ano letivo, o governo do estado promoveu a chamada enturmação, ou junção de turmas, ultrapassando o número máximo de alunos recomendado pelo Conselho Estadual de Educação (CEE). Houve o remanejo de alunos em cerca de 7.500 turmas, o fechamento de 105 escolas estaduais e a multisseriação. Além disso, foi encerrada a oferta da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e estimulada a municipalização da educação infantil.

Entre os inúmeros relatos e denúncias sobre a precariedade na educação pública gaúcha, a professora Líbia Aquino, da Escola Estadual Augusto Meyer, de Guaíba, fez um desabafo. "não temos suporte pedagógico. Temos apenas 38 professores para atender 1.200 alunos. A biblioteca foi fechada, a psicopedagoga foi retirada prejudicando os 45 alunos que necessitam de atendimento especial e os cegos estão sem atenção", registrou a educadora.


Stella Máris Valenzuela- Site www.cpers.com.br

No 1º de abril, dizer a verdade!

Editorial do Jornal Opinião Socialista - PSTU

Lula foi eleito pela esperança dos trabalhadores de mudança. Dezenas de anos aguardando uma mudança global no país em relação à exploração, a injustiça e a corrupção se canalizaram para a eleição de Lula. A experiência do primeiro mandato baixou as expectativas. A crise de 2005 mostrou que a corrupção do PT era a mesma do PSDB. O país continuou sendo o paraíso dos banqueiros e das multinacionais. A justiça e a polícia seguiram atacando os trabalhadores e protegendo os patrões, mesmo que abertamente corruptos e criminosos.

Mas a figura de Lula e o crescimento econômico mantiveram a popularidade do governo, trazendo a reeleição e o segundo mandato. As pequenas migalhas do crescimento econômico foram entendidas pelos trabalhadores como a mostra de que Lula “se preocupa com o povo”.

No fundo de tudo está uma mentira, um engano. Os trabalhadores pensam que Lula governa para eles, quando governa para os ricos, para a grande burguesia, os grandes industriais e banqueiros.

Para os trabalhadores sobram os pequenos reajustes do salário mínimo, enquanto os banqueiros têm aumentos históricos em seus lucros, que já eram gigantescos no governo de FHC. O povo pobre se endivida brutalmente com o crédito consignado para comprar uma geladeira, um fogão, enquanto os burgueses vão para o trabalho de helicóptero e gastam dez, vinte salários mínimos para comprar um vestido, um terno.

Lula fala que vai acabar com a sede dos nordestinos com a transposição do rio São Francisco, quando vai é canalizar bilhões e bilhões para os cofres das construtoras e do agronegócio. O governo apóia a GM que fala em “mais empregos” quando quer, na verdade, rebaixar os salários dos trabalhadores.

O apoio ainda majoritário dos trabalhadores ao governo está sustentado no engano e na mentira. Felizmente mais e setores identificam isso. Todo um setor popular da igreja católica está se enfrentando abertamente com Lula depois da greve de fome de Dom Cappio contra a transposição do São Francisco, ignorada pelo governo.

No 1° de abril, a Conlutas, junto esse setor da igreja e outras correntes, vai realizar um dia de mobilização contra as mentiras deste governo. Vamos unir os sindicatos, as entidades do movimento popular e estudantil em todo o país para dizer a verdade aos trabalhadores. Entre em contato com a Conlutas em seu estado para unir-se ao protesto.